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   Edición 87 / Abril - Diciembre del 2003

Investigación



Fitorremediar é Preciso



Por Dra. Valquiria Campos (*)
vcampos@usp.br

Brasil


O termo fitoremediação (do grego phyton = planta) aplica-se à utilização de plantas com a finalidade de remover ou minimizar substâncias tóxicas do ambiente. Os recursos naturais vem sendo cada vez mais ameaçados, resultante de impactos advindos de atividades antrópicas. As substâncias geradas pelas atividades humanas incluem compostos orgânicos e inorgânicos como hidrocarbonetos, pesticidas e solventes, além de elementos-traço como Arsênio e Mercúrio.


A implantação da prática do que se convencionou chamar de "fitorremediação" surgiu há pelo menos uma década, no contexto da biotecnologia como método alternativo econômico e de menor impacto negativo ao meio. Nos EE.UU. estão sendo investidos mais de u$s 100 milhões em fitoremediação. No Brasil, pode-se dizer que a busca por metodologias alternativas tende a crescer, como decorrência de exigências sociais e órgãos ambientais como a "Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - CETESB".

A escolha da estratégia depende da natureza química e propriedades do contaminante além da aptidão ecológica de cada espécie; existem plantas para todos os tipos de ambiente: Solo seco, pedregoso, brejoso, clima muito quente ou muito frio entre outros fatores. O plantio de vegetais remediadores pode ser efetuado de forma isolada ou em pequenos agrupamentos.

Como todos os métodos remediadores há, porém, algumas limitações quanto a sua aplicabilidade, cabendo-se ressaltar duas delas: A profundidade da área de tratamento que é determinada pelas partes inferiores da planta (raiz, rizoma), além da obtenção lenta de resultados, respeitando o ciclo de vida de cada espécie.

Em 2001, a revista britânica Nature publicou "A fern that hyperaccumulates arsenic" por Lena Q. Ma, esse artigo atraiu grande interesse à Dra. Valquiria Campos visto por sua especialização em áreas contaminadas com Arsênio (As) no Estado de São Paulo. A reflexão quanto a esta problemática, motivou a realização de um projeto de fitoremediação no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares do Estado de São Paulo - IPEN, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq.

Pteris vittata 01

A meta era estudar diferentes espécies de plantas, começando pelas vasculares, que removessem o arsênio dos solos. Nesse projeto, destaca-se também a participação da Dra. Maria Aparecida Faustino Pires do IPEN e do Dr. Jefferson Prado do Instituto de Botânica de São Paulo.

Uma das vias de contaminação ambiental por Arsênio ocorre pelo uso de agroquímicos (fertilizantes e pesticidas) encontrado como ingrediente ativo em muitos pesticidas e como elemento-traço em fertilizantes do tipo NPK. No meio natural, o arsênio encontra-se, principalmente, como Arsenito (As3+) e Arsenato (As5+). O Arsênio é enquadrado como substância carcinogênica do grupo 1 e muitas são as manifestações de efeitos clínicos quando da ingestão de Arsênio.

A moderna classificação biológica, taxonômica, começou com o naturalista sueco do século dezoito Carl Linnaeus (1707-1778) sendo portanto, citado em muitas espécies; lembrando-se que os critérios na adoção de nomes científicos às plantas são ministrados segundo o Código Internacional de Nomenclatura Botânica. A Pteris vittata foi descrita por Linnaeus em 1753 a partir de amostras nativas da China. A divisão Pteridophyta (do grego pteros = pena) compreende uma imensa variedade de vegetais vascularizados e bastante diversificados entre si.

As plantas vasculares são assim denominadas por possuírem tecidos vasculares como xilema e floema que permitem a condução de água e substâncias nutritivas através do vegetal.

As Pteridófitas são vegetais conhecidos como samambaias e plantas afins, estando distribuídas em 32 famílias com cerca de 250 gêneros e aproximadamente 10.000 espécies em florestas de todo o mundo. As espécies introduzidas no Brasil como a Pteris vittata L. apresentam comportamento de plantas ruderais crescendo, normalmente em ambientes artificiais; criados pela modificação das condições naturais como, por exemplo, muros residenciais, túmulos e escadarias (Figura 1).

Esse gênero apresenta-se em contínuo processo de evolução e as espécies tendem a ocupar também áreas abertas à margem de estradas.

Sua evolução é notada na transição de hábito terrestre para rupícola, isto é, crescendo sobre muros da cidade. A Pteris vittata L. caracteriza-se por apresentar a fronde pinada, com pinas lineares, as frondes dispõem-se na lateral, parte superior e apical do rizoma (caule subterrâneo).

Pteris vittata 02

De duas espécies vasculares estudadas, a Pteris vittata Linnaeus foi a que apresentou melhor desempenho na retenção de arsênio do solo constatando-se também, que o arsênio exerce influência na fisiologia da planta, ou seja, em poucas semanas, observou-se um rápido crescimento das plantas que receberam até 40 mg.L-1 de Arsênio. A determinação de Arsênio nas plantas, separadas por fronde e rizoma, foi realizada por ativação neutrônica pelo Reator IEA-R1 do IPEN.

Foto a la izquierda. Pteris vittata es una especie con adaptación bastante variada, aqui encontrase en la escadaria del Instituto de Arquitectura y Urbanismo de la Universidad del São Paulo.

Terminada com êxito a primeira fase do projeto, a pesquisadora resume seus propósitos "Conseguimos produzir resultados satisfatórios que confere à aplicabilidade do método". Contudo, Valquiria e seus colaboradores concordam que trata-se de um projeto pioneiro no Brasil e há muitas etapas a serem vencidas, "O processo é longo e exige vários anos de pesquisa". @


Bibliografía

    (1) Ma, L. Q.; Komar, K. M.; Tu, C.; Zhang, W.; Cai, Y.; Kennelley, E. D. A fern that hyperaccumulates arsenic. Nature, 2001, 409, 579.

    (2) Prado, J.; Windisch, P. G. The genus Pteris L. (Pteridaceae) in Brazil. Bol. Inst. Bot. 2000, 13, 103-199.

(*) A doctora Valquiria Campos, pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, Brasil, com Pós-Doutorado pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulov.






 

© Copyright 1996 - 2010, Multimedios Ambiente Ecológico - MAE. ISSN 1668-3358
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